TV Aparecida 🇧🇷 Brasil 🛐

2 de junho de 2011

Leitura Bíblica - 04-06-2011

VI SEMANA DA PÁSCOA
 
(branco - ofício do dia)


Primeira Leitura:
Atos dos Apóstolos 18, 23-28



Leitura dos Atos dos Apóstolos - Naqueles dias, 23Aí se demorou apenas por algum tempo, partiu de novo e atravessou sucessivamente as regiões da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos. 24Entrementes, um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e muito versado nas Escrituras, chegou a Éfeso. 25Era instruído no caminho do Senhor, falava com fervor de espírito e ensinava com precisão a respeito de Jesus, embora conhecesse somente o batismo de João. 26Começou, pois, a falar na sinagoga com desassombro. Como Priscila e Áquila o ouvissem, levaram-no consigo, e expuseram-lhe mais profundamente o caminho do Senhor. 27Como ele quisesse ir à Acaia, os irmãos animaram-no e escreveram aos discípulos que o recebessem bem. A sua presença (em Corinto) foi, pela graça de Deus, de muito proveito para os que haviam crido, 28pois com grande veemência refutava publicamente os judeus, provando, pelas Escrituras, que Jesus era o Messias. - Palavra do Senhor.


Salmo Responsorial(46)
REFRÃO: O Senhor é o grande rei de toda a terra.
1. Povos, aplaudi com as mãos, aclamai a Deus com vozes alegres, porque o Senhor é o Altíssimo, o temível, o grande Rei do universo. - R.

2. Porque Deus é o rei do universo; entoai-lhe, pois, um hino! Deus reina sobre as nações, Deus está em seu trono sagrado. - R.

3. Reuniram-se os príncipes dos povos ao povo do Deus de Abraão, pois a Deus pertencem os grandes da terra, a ele, o soberanamente grande. - R.



Evangelho:
João 16, 23-28


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - 23Naquele dia não me perguntareis mais coisa alguma. 24Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita. 25Disse-vos essas coisas em termos figurados e obscuros. Vem a hora em que já não vos falarei por meio de comparações e parábolas, mas vos falarei abertamente a respeito do Pai. 26Naquele dia pedireis em meu nome, e já não digo que rogarei ao Pai por vós. 27Pois o mesmo Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que saí de Deus. 28Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto para junto do Pai. - Palavra da salvação.

Leitura Bíblica - 03-06-2011

SÃO CARLOS LWANGA MÁRTIR DA ÁFRICA

(vermelho, pref. pascal ou dos mártires - ofício da memória)


Primeira Leitura:
Atos dos Apóstolos 18, 9-18



Leitura dos Atos dos Apóstolos - 9Numa noite, o Senhor disse a Paulo em visão: Não temas! Fala e não te cales. 10Porque eu estou contigo. Ninguém se aproximará de ti para te fazer mal, pois tenho um numeroso povo nesta cidade. 11Paulo deteve-se ali um ano e seis meses, ensinando a eles a palavra de Deus. 12Sendo Galião procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus de comum acordo contra Paulo e levaram-no ao tribunal e disseram: 13Este homem persuade os ouvintes a (adotar) um culto contrário à lei. 14Paulo ia falar, mas Galião disse aos judeus: Se fosse, na realidade, uma injustiça ou verdadeiro crime, seria razoável que vos atendesse. 15Mas se são questões de doutrina, de nomes e da vossa lei, isso é lá convosco. Não quero ser juiz dessas coisas. 16E mandou-o sair do tribunal. 17Então todos pegaram em Sóstenes, chefe da sinagoga, e o espancaram diante do tribunal, sem que Galião fizesse caso algum disso. 18Paulo permaneceu ali (em Corinto) ainda algum tempo. Depois se despediu dos irmãos e navegou para a Síria e com ele Priscila e Áquila. Antes, porém, cortara o cabelo em Cêncris, porque terminara um voto. - Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial(46)
REFRÃO: O Senhor é o grande rei de toda a terra.
1. Povos, aplaudi com as mãos, aclamai a Deus com vozes alegres, porque o Senhor é o Altíssimo, o temível, o grande Rei do universo. - R.
2. Ele submeteu a nós as nações, colocou os povos sob nossos pés, escolheu uma terra para nossa herança, a glória de Jacó, seu amado. - R.
3. Subiu Deus por entre aclamações, o Senhor, ao som das trombetas. Cantai à glória de Deus, cantai; cantai à glória de nosso rei, cantai. - R.

Evangelho:
João 16, 20-23

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 20Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria. 21Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo. 22Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria. 23Naquele dia não me perguntareis mais coisa alguma. - Palavra da salvação.

Leitura Bíblica - 02-06-2011

6ª Semana da Páscoa

Primeira leitura (Atos dos Apóstolos 18,1-8)

 
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
Naqueles dias, 1Paulo deixou Atenas e foi para Corinto. 2Aí encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que acabava de chegar da Itália, e sua esposa Priscila, pois o imperador Cláudio tinha decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo entrou em contato com eles. 3E, como tinham a mesma profissão – eram fabricantes de tendas – Paulo passou a morar com eles e trabalhavam juntos.
4Todos os sábados, Paulo discutia na sinagoga, procurando convencer judeus e gregos. 5Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo dedicou-se inteiramente à Palavra, testemunhando diante dos judeus que Jesus era o Messias. 6Mas, por causa da resistência e blasfêmias deles, Paulo sacudiu as vestes e disse: “Vós sois responsáveis pelo que acontecer. Eu não tenho culpa; de agora em diante, vou dirigir-me aos pagãos”.
7Então, saindo dali, Paulo foi para casa de um pagão, um certo Tício Justo, adorador do Deus único, que morava ao lado da sinagoga. 8Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com toda a sua família; e muitos coríntios, que escutavam Paulo, acreditavam e recebiam o batismo.


- Palavra do Senhor. - Graças a Deus.
 
 
Salmo (Salmos 97)

 

— O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.— O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.
— O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.
— Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!
 
Evangelho (João 16,16-20)

 
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
16“Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo”. 17Alguns dos seus discípulos disseram então entre si: “O que significa o que ele nos está dizendo: ‘Pouco tempo, e não me vereis, e outra vez pouco tempo, e me vereis de novo’, e: ‘Eu vou para junto do Pai?’”.
18Diziam, pois: “O que significa este pouco tempo? Não entendemos o que ele quer dizer”. 19Jesus compreendeu que eles queriam interrogá-lo; então disse-lhes: ‘Estais discutindo entre vós porque eu disse: ‘Pouco tempo e já não me vereis, e outra vez pouco tempo e me vereis?’
20Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”.


-
Palavra da Salvação. - Glória a vós, Senhor.


Comentário do Evangelho

A ação iluminante do Espírito 


Um dos destaques do discurso de despedida de Jesus é anúncio do envio do Paráclito, o Espírito Consolador. A aparente derrota da crucifixão abalaria ainda mais as frágeis convicções dos discípulos. Daí a importância do envio do Espírito, tão acentuada por Jesus. A realidade da presença do Espírito é tão consistente quanto a presença de Jesus entre os discípulos durante sua vida. É o Espírito da Verdade enviado por ele e pelo Pai, o qual ilumina os discípulos para entenderem toda a verdade. Assim amadurecerão sua compreensão sobre a vida e a eternidade de Jesus, e perceberão a continuidade da presença de Jesus entre eles e o sentido de sua própria vida e missão.


A ação iluminante do Espírito se faz sentir ao longo dos séculos, atualizando o anúncio da Verdade que ele recebe de Jesus e do Pai. Equívocos e erros históricos vão sendo percebidos e denunciados. As ideologias dos poderosos, que distorcem a fé, e as falsas esperanças que iludem, suscitadas pela ambição do poder e da riqueza, são rejeitadas. Por outro lado, homens e mulheres, sob a luz do Espírito, têm a compreensão cada vez maior da dignidade humana rejeitando toda forma de exclusão e violência, no respeito às diferenças, na compaixão e no respeito à vida em todas suas formas.

José Raimundo Oliva

1 de junho de 2011

AIS - Ajuda a Igreja que Sofre

Padre Werenfried foi convidado para ser o pregador do encontro anual de camponeses de Tongerlo, Bélgica. Ele falou do sofrimento dos sacerdotes e cristãos alemães. Um discurso desafiante, pois todo povo belga havia sofrido por cinco anos a dura dominação dos alemães. A caridade não seria algo espontâneo. Mas o milagre aconteceu. Todos se comoveram com as palavras do Padre Werenfried e seu apelo ativou uma onda de generosidade. Quem não tinha dinheiro oferecia todo tipo de ajuda. Os camponeses doavam muito toucinho e, em pouco tempo, o religioso ficou conhecido como "Padre Toucinho".
História cronológica          

A AIS nasceu do sofrimento e da carência extrema de um povo que sentiu na própria pele a barbárie da maior guerra do planeta, a II Guerra Mundial.

A Alemanha foi totalmente destruída e seu povo jogado nas piores condições humanas imagináveis. Diante deste quadro trágico da história da humanidade, surge uma luz de esperança que conseguiu amenizar, ao menos um pouco, a dor deste povo, marcado por uma batalha que não teve vencedores.

A Ajuda à Igreja que Sofre, com seus dois programas de televisão semanais, leva até você a oportunidade de conhecer mais dos seus projetos, sua história, seu carisma e sobre a situação da Igreja no mundo todo.

Apresentado pelo Assistente Eclesiástico da AIS Brasil, Padre Evaristo Debiasi, A Igreja pelo Mundo traz toda semana um documentário sobre projetos realizados pela Ajuda à Igreja que Sofre. Já o diretor da AIS Brasil, José Lucio Corrêa, apresenta o programa Onde Deus Chora que nos leva a realidade nua e crua de como a Igreja de Jesus Cristo se encontra atualmente nos lugares mais diversos de um mundo muitas vezes desumano, mas onde a esperança nunca deixou de brilhar.

Em vista da grande necessidade daquela época, neste ano teve início a campanha "Caminhões Capelas", que eram caminhões e ônibus usados convertidos em verdadeiras "igrejas de rodas". Os "Caminhões Capela" eram enviados para as regiões de maior necessidade e sacerdotes distribuíam alimento espiritual e material nas comunidades flageladas. Aqui, a Obra do Padre Werenfried era conhecida pelo nome de Ostpriesterhilfe "Ajuda aos Padres do Leste".

 
Programação
    A IGREJA PELO MUNDO
    ONDE DEUS CHORA
    Rede VidaRede Vida

    Quarta: 08h00

  • Sábado: 17h00

  • Canção NovaSéculo XXI

  • Quarta: 16h30


  • Domingo: 06h30

  • Século XXI---

  • Domingo: 17h00

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    TV Horizonte---

  • Domingo: 09h30

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    TV Nazaré---

  • Terça: 11h30

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Família, cerne da ordem social


O matrimônio é uma ciência. Isso não é uma anedota de mau gosto, nem é uma verdade amarga. É um conceito que pode ser atribuído a João Paulo II, que desenvolveu uma teologia do corpo e que sempre voltava a apontar o significado do matrimônio e da família para a sociedade e a Igreja. Sem ela, não há futuro para a Igreja.

  
Nesse sentido surgiram em vários países Institutos Pontifícios João Paulo II para estudos sobre matrimônio e família, onde sacerdotes, leigos e casais podem fazer estudos com direito a diploma universitário. Por exemplo, o Instituto em Cotonou, no Benin. Para isso, alguns estudantes fazem sacrifícios significativos a fim de alcançar seu mestrado ou sua licenciatura.
Oscar Ilizabaliza e sua esposa Marie-Christine mudaram-se com seus nove filhos de Togo para Benin. No próximo ano eles concluem os estudos e depois voltam a Lomé, para reforçar a Pastoral da Família na sua arquidiocese.
O arcebispo Denis Amuzu-Dzakpah, de Lomé, prevê que o casal enfrentará a generalizada "tendência social pelo fim do matrimônio e das estruturas familiares" e valoriza os conhecimentos que serão adquiridos no curso sobre a natureza da união matrimonial, sobre questões jurídicas, bioéticas, morais e políticas, não excluindo a rica experiência da vida familiar.

Essa esperança anima também outros bispos da África que enviam seus candidatos e estudantes para Cotonou. O que muitos deles têm em comum é o fato de não terem condições de financiar seus estudos. Oscar Ilizabaliza precisou primeiro deixar o seu emprego de professor de Inglês em Lomé; mas a esperança de um emprego em Cotonou não se realizou. E assim, quando as economias estavam esgotadas, ele, sua mulher e os nove filhos se encontraram logo diante da dúvida se deveriam interromper tudo e voltar. O arcebispo não tinha como ajudar e solicitou a nossa ajuda.

"A família é o cerne de toda ordem social", escreve Bento XVI no seu primeiro livro sobre Jesus. E João Paulo II também ressaltou mais de uma vez a importância da Pastoral da Família. Será que podemos dizer um não?

A África não é um continente perdido. Ela é uma esperança para a Igreja - justamente porque lá se encontra uma tão grande sensibilidade pela natureza do homem e uma tão marcante compreensão da relação do homem com o Criador. Por isso as pessoas também pensam mais na alegria e na felicidade que o matrimônio e a família trazem, do que no sofrimento e nos problemas.

"Educação é enriquecimento em humanidade", escreveu João Paulo II na sua carta às famílias. Isso deve ser trazido à consciência com mais força. E para isso torna-se necessária uma sólida formação. Até o momento nós promovemos a formação de mais de 120 estudantes (sacerdotes, casais, catequistas) no Instituto João Paulo II, mas ainda não foi o suficiente.

Quando pensamos no futuro da Igreja e da família, numa sólida vivência do evangelho dentro dos lares, é necessário fazer mais. Você nos ajudará?

Santo do Dia - Santos Carlos Lwanga e companheiros - 03-06

Santos Carlos Lwanga
e companheiros mártires
+ 1886
O povo africano talvez tenha sido o último a receber a evangelização cristã, mas já possui seus mártires homenageados na história da Igreja Católica. O continente só foi aberto aos europeus depois da metade do século XIX. Antes disso, as relações entre as culturas davam-se de forma violenta, principalmente por meio do comércio de escravos. Portanto, não é de estranhar que os primeiros missionários encontrassem, ali, enorme oposição, que lhes custava, muitas vezes, as próprias vidas.

A pregação começou por Uganda, em 1879, onde conseguiu chegar a "Padres Brancos", congregação fundada pelo cardeal Lavigérie. Posteriormente, somaram-se a eles os padres combonianos. A maior dificuldade era mostrar a diferença entre missionários e colonizadores. Aos poucos, com paciência, muitos nativos africanos foram catequizados, até mesmo pajens da corte do rei. Isso lhes causou a morte, quase sete anos depois de iniciados os trabalhos missionários, quando um novo rei assumiu o trono em 1886.

O rei Muanga decidiu acabar com a presença cristã em Uganda. Um pajem de dezessete anos chamado Dionísio foi apanhado pelo rei ensinando religião. De próprio punho Muanga atravessou seu peito com uma lança, deixou-o agonizando por toda uma noite e só permitiu sua decapitação na manhã seguinte. Usou o exemplo para avisar que mandaria matar todos os que rezavam, isto é, os cristãos.

Compreendendo a gravidade da situação, o chefe dos pajens, Carlos Lwanga, reuniu todos eles e fez com que rezassem juntos, batizou os que ainda não haviam recebido o batismo e prepararam-se para um final trágico. Nenhum desses jovens, cuja idade não passava de vinte anos, alguns com até treze anos de idade, arredou pé de suas convicções e foram todos encarcerados na prisão em Namugongo, a setenta quilômetros da capital, Kampala. No dia seguinte, os vinte e dois foram condenados à morte e cruelmente executados.

Era o dia 3 de junho de 1886, e para tentar não fazer tantos mártires, que poderiam atrair mais conversões, o rei mandou que Carlos Lwanga morresse primeiro, queimado vivo, dando a chance de que os demais evitassem a morte renegando sua fé. De nada adiantou e os demais cristãos também foram mortos, sob torturas brutais, com alguns sendo queimados vivos.

Os vinte e dois mártires de Uganda foram beatificados em 1920. Carlos Lwanga foi declarado "Padroeiro da Juventude Africana" em 1934. Trinta anos depois, o papa Paulo VI canonizou esse grupo de mártires. O mesmo pontífice, em 1969, consagrou o altar do grandioso santuário construído no local onde fora a prisão em Namugongo, na qual os vinte e um pagens, dirigidos por Carlos Lwanga, rezavam aguardando a hora de testemunhar a fé em Cristo.

Santo do Dia - Santa Clotilde - 03-06

Santa Clotilde
475-545
Clotilde nasceu em Lion, França, no ano 475, filha do rei ariano Childerico de Borgonha. Mais tarde, o rei, junto com a esposa e três dos seus cinco filhos, foi assassinado pelo próprio irmão, que lhe tomou o trono. Duas princesas foram poupadas, uma era Clotilde.

A menina foi entregue a uma tia, que a educou na religião católica. Cresceu muito bonita, delicada, gentil, dotada de grande inteligência e sabedoria. Clodoveu, rei dos francos, encantou-se por ela. Foi aconselhado pelos bispos católicos do seu reino a pedir a mão de Clotilde. Ela aceitou e tornou-se a rainha dos francos.

Ao lado do marido, pagão, irrascível, ambicioso e guerreiro, Clotilde representava a gentileza, a bondade e a piedade cristã. Imbuída da vontade de fazer o rei tornar-se cristão, para que ele fosse mais justo com seus súditos oprimidos e parasse com as conquistas sangrentas, ela iniciou sua obra de paciência, de persuasão e de bom exemplo católico.

Clodoveu, de fato, amava muito a esposa. Com ela teve três herdeiros, que, infelizmente, herdaram o seu espírito belicoso. Não se importava que Clotilde rezasse para seu Deus, em vez de ir ao templo pagão levar oferendas aos deuses pagãos, quando partia e voltava vitorioso dos combates. Por outro lado, apreciava os conselhos do bispo de Reims, Remígio, agora santo, que se tornara confessor e amigo pessoal da rainha. Com certeza, a graça já atuava no coração do rei.

Foi durante a batalha contra os alemães, em 496, que ele foi tocado pela fé. O seu exercito estava quase aniquilado quando se lembrou do "Deus de Clotilde". Ele se ajoelhou e rezou para Jesus Cristo, prometendo converter-se, bem como todo o seu exército e reino, se conseguisse a vitória. E isso aconteceu.

Clodoveu, ao vencer os alemães, unificou o reino dos francos, formando o da França, do qual foi consagrado o único rei. Pediu o batismo ao bispo Remígio, assistido por todos os súditos. Em seguida, todos os soldados do exército foram batizados, seguidos por toda a corte e súditos. Ele tornou a França um Estado católico, o primeiro do Ocidente, em meio a tantos reinos pagãos ou arianos.

Clotilde e Clodoveu construíram a igreja dos Apóstolos, hoje chamada de igreja de Santa Genoveva, em Paris. Mas logo depois Clodoveu morreu. Pela lei dos francos, quando o rei morria o reino era dividido entre os filhos homens, que eram três.

Foi então que começou o longo período de sofrimento da rainha Clotilde, assistido por todos os seus súditos que a amavam e a chamavam de "rainha santa". Os filhos envolveram-se em lutas sangrentas disputando o reino entre si, gerando muitas mortes na família. Então, Clotilde retirou-se para a cidade de Tours, perto do sepulcro de são Martinho, para rezar, construir igrejas, mosteiros e hospitais para os pobres e abandonados.

Depois de trinta e quatro anos, a rainha faleceu, no dia 3 de junho de 545, na presença de seus filhos. Imediatamente, a fama de sua santidade propagou-se. O culto a santa Clotilde foi autorizado pela Igreja. A sua memória tornou-se uma bênção para o povo francês e para todo o mundo católico, sendo venerada no dia de sua morte.

Santo do Dia - Santo Erasmo - 02-06

Santo Erasmo
Século IV
A tradição cristã descreveu a vida de Erasmo com passagens surpreendentes. Ele pertencia ao clero da Antioquia. Foi forçado, durante a perseguição do imperador Diocleciano, a esconder-se numa caverna no Monte Líbano durante sete anos. Capturado e longamente torturado, foi levado para ser julgado pelo imperador, que tentou de todas as formas fazer com que renegasse a fé em Cristo. Porém Erasmo manteve-se firme e por isso novamente voltou para a prisão. De lá foi milagrosamente libertado por um anjo que o levou para a Dalmácia, onde fez milhares de conversões durante mais sete anos.

Na época do imperador Maximiano, novamente foi preso e no tribunal, além de destruir um ídolo falso, declarou sua incontestável religião cristã. Tal atitude de Erasmo fez milhares de pagãos converterem-se, as quais depois foram mortas pela perseguição desse enfurecido imperador. Outra vez teria sido horrivelmente torturado e também libertado, agora pelo arcanjo Miguel, que o conduziu para a costa do sul da Itália. Ali se tornou o bispo de Fornia, mas por um breve período. Morreu pouco depois devido às feridas de seus dois suplícios, por este motivo recebeu o título de mártir.

As muitas tradições descreveram algumas particularidades sobre as crueldades impostas nas suas torturas. Dizem que seu ventre foi cortado e aos poucos os seus intestinos foram retirados. Devido a esse suplício, santo Erasmo tornou-se, para os fiéis, o protetor das enfermidades do ventre, dos intestinos e das dores do parto.

Os marinheiros ainda hoje são muito devotos de santo Erasmo, ou são Elmo, como também o chamam. Desde a Idade Média eles o tomaram como seu padroeiro, invocado-o especialmente durante as adversidades no mar.

As fontes históricas da Igreja também comprovam a existência de Erasmo como mártir e bispo de Fornia, Itália. Dentre elas estão o Martirológio Gerominiano, que indicou o dia 2 de junho para sua veneração e a inscrição do seu nome entre os mártires no calendário marmóreo de Nápoles.

O papa são Gregório Magno, no fim do século VI, escrevendo ao bispo Bacauda, de Fornia, atestou que o corpo de santo Erasmo estava sepultado na igreja daquela diocese. No ano 842, depois de Fornia ser destruída pelos árabes muçulmanos, as suas relíquias foram transferidas para a cidade de Gaeta e escondidas num dos pilares da igreja, de onde foram retiradas em 917. A partir de então, santo Erasmo foi declarado padroeiro de Gaeta, e em sua homenagem foram cunhadas moedas com a sua esfinge.

Após a recente revisão do calendário litúrgico, a Igreja manteve a festa deste santo no dia em que sempre foi tradicionalmente celebrado.

Santo do Dia - Santos Marcelino e Pedro - 02-06

Santos Marcelino e Pedro
Século IV
Esta página da história da Igreja foi-nos confirmada pelo próprio papa Dâmaso, que na época era um adolescente e testemunhou os acontecimentos. Foi assim que tudo passou.

Na Roma dos tempos terríveis e sangrentos do imperador Diocleciano, padre Marcelino era um dos sacerdotes mais respeitados entre o clero romano. Por meio dele e de Pedro, outro sacerdote, exorcista, muitas conversões ocorreram na capital do império. Como os dois se tornaram conhecidos por todos daquela comunidade, inclusive pelos pagãos, não demorou a serem denunciados como cristãos. Isso porque os mais visados eram os líderes da nova religião e os que se destacavam como exemplo entre a população. Intimados, Marcelino e Pedro foram presos para julgamento. No cárcere, conheceram Artêmio, o diretor da prisão.

Alguns dias depois notaram que Artêmio andava triste. Conversaram com ele e o miliciano contou que sua filha Paulinha estava à beira da morte, atacada por convulsões e contorções espantosas, motivadas por um mal misterioso que os médicos não descobriam a causa. Para os dois, aquilo indicava uma possessão demoníaca. Falaram sobre o cristianismo, Deus e o demônio e sobre a libertação dos males pela fé em Jesus Cristo. Mas Artêmino não lhes deu crédito. Até que naquela noite presenciou um milagre que mudou seu destino.

Segundo consta, um anjo libertou Pedro das correntes e ferros e o conduziu à casa de Artêmio. O miliciano, perplexo, apresentou-o à sua esposa, Cândida. Pedro, então, disse ao casal que a cura da filha Paulinha dependeria de suas sinceras conversões. Começou a pregar a Palavra de Cristo e pouco depois os dois se converteram. Paulinha se curou e se converteu também.

Dias depois, Artêmio libertou Marcelino e Pedro, provocando a ira de seus superiores. Os dois foram recapturados e condenados à decapitação. Entrementes, Artêmio, Cândida e Paulinha foram escondidos pelos cristãos, mas eles passaram a evangelizar publicamente, conseguindo muitas conversões. Assim, logo foram localizados e imediatamente executados. Artêmio morreu decapitado, enquanto Cândida e Paulinha foram colocadas vivas dentro de uma vala que foi sendo coberta por pedras até morrerem sufocadas.

Quanto aos santos, o prefeito de Roma ordenou que fossem também decapitados, porém fora da cidade, para que não houvesse comoção popular. Foram levados para um bosque isolado onde lhes cortaram as cabeças. Era o dia 2 de junho de 304.

Os seus corpos ficaram escondidos numa gruta límpida por muito tempo. Depois foram encontrados por uma rica e pia senhora, de nome Lucila, que desejava dar uma digna e cristã sepultura aos santos de sua devoção. O culto dedicado a eles se espalhou no mundo católico até que o imperador Constantino mandou construir sobre essas sepulturas uma igreja. Outros séculos se passaram e, em 1751, no lugar da igreja foi erguida a belíssima basílica de São Marcelino e São Pedro, para conservar a memória dos dois santos mártires, a qual existe até hoje.

31 de maio de 2011

Leitura Bíblica - 01-06-2011


SÃO JUSTINO FILÓSOFO E MÁRTIR
(vermelho, pref. pascal ou dos mártires - ofício da memória)
 
 
Primeira Leitura:
Atos dos Apóstolos 17, 15.22-34; 18, 1

Leitura do dos Atos dos Apóstolos - Naqueles dias, 15Os que conduziam Paulo levaram-no até Atenas. De lá voltaram e transmitiram para Silas e Timóteo a ordem de que fossem ter com ele o mais cedo possível. 22Paulo, em pé no meio do Areópago, disse: Homens de Atenas, em tudo vos vejo muitíssimo religiosos. 23Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: A um Deus desconhecido. O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio! 24O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas. 25Nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa, porque é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas. 26Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação. 27Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. 28Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: Nós somos também de sua raça... 29Se, pois, somos da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra lavrada por arte e gênio dos homens. 30Deus, porém, não levando em conta os tempos da ignorância, convida agora a todos os homens de todos os lugares a se arrependerem. 31Porquanto fixou o dia em que há de julgar o mundo com justiça, pelo ministério de um homem que para isso destinou. Para todos deu como garantia disso o fato de tê-lo ressuscitado dentre os mortos. 32Quando o ouviram falar de ressurreição dos mortos, uns zombavam e outros diziam: A respeito disso te ouviremos outra vez. 33Assim saiu Paulo do meio deles. 34Todavia, alguns homens aderiram a ele e creram: entre eles, Dionísio, o areopagita, e uma mulher chamada Dâmaris; e com eles ainda outros. 1Depois disso, saindo de Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto. - Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial(148)
REFRÃO: Da vossa glória estão cheios o céu e a terra.
1. Aleluia. Nos céus, louvai o Senhor, louvai-o nas alturas do firmamento. Louvai-o, todos os seus anjos. Louvai-o, todos os seus exércitos. - R.
2. reis da terra e todos os seus povos; príncipes e juízes do mundo; jovens e donzelas; velhos e crianças! - R.
3. jovens e donzelas; velhos e crianças! Louvem todos o nome do Senhor, porque só o seu nome é excelso. Sua majestade transcende a terra e o céu, e conferiu a seu povo um grande poder. Louvem-no todos os seus fiéis, filhos de Israel, povo a ele mais chegado. - R.

Evangelho:
João 16, 12-15

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 12Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. 13Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. 14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará. - Palavra da salvação.

Santo do Dia - Santo Aníbal Maria di Francia - 01-06

Santo Aníbal Maria di Francia
1851-1927

***
Fundou duas Congregações religiosas:
Filhas do Divino Zelo
e os Rogacionistas do Coração de Jesus
Filho de nobres da aristocracia siciliana, Aníbal Maria di Francia nasceu na cidade italiana de Messina no dia 5 de julho de 1851.

Terceiro de quatro filhos, aos quinze meses ficou órfão de pai. A dura experiência de não conviver com a figura paterna desenvolveu-lhe um especial amor e compreensão às necessidades das crianças órfãs, pobres e abandonadas. Para elas dedicou toda a sua vida de apostolado e por elas nunca deixou de ser um simples padre, embora as oportunidades no clero não lhe faltassem.

Aos dezoito anos recebeu o forte chamado à vida religiosa e ordenou-se sacerdote em 1878. O contato com o terrível mundo dos miseráveis e pobres deu-se poucos meses antes de sua consagração, quando conheceu a Casa de Avignon, o pior e mais esquecido local da cidade. Local que depois se tornou o campo de atuação do seu ministério.

Nele realizou o que definiu como o "espírito da dupla caridade: evangelização e socorro aos pobres", iniciando a criação dos Orfanatos Antonianos, masculinos e femininos, colocados sob a guarda de santo Antônio de Pádua. Para mantê-los, não teve dúvidas, tornou-se mendicante, indo de porta em porta pedir subsídios. Depois desenvolveu a devoção do "pão de santo Antônio", responsável, por muito tempo, pela sustentação de suas obras.

Os milhões e milhões de pessoas ainda não-evangelizadas eram um pensamento constante que o consumia. Pregando ao Espírito Santo, encontrou a luz para essa inquietação no próprio Senhor Jesus, que disse: "Rogai ao Senhor da messe, para que envie trabalhadores para sua messe". Assim inspirado, fundou duas congregações religiosas: as Filhas do Divino Zelo, em 1887, e, dez anos depois, os Rogacionistas do Coração de Jesus.

Dizia freqüentemente que a Igreja, para realizar a sua missão, tem necessidade de sacerdotes, numerosos e santos, segundo o Coração de Jesus. Padre Aníbal viveu por esta grande causa, com fama de santidade, em meio aos mais necessitados e abandonados. Além disso, deu uma atenção concreta às necessidades espirituais e materiais dos sacerdotes.

Amado e respeitado por todos, foi reconhecido como o "Pai dos órfãos e pobres", até morrer, no dia 1o de junho de 1927. O seu corpo foi sepultado no Templo da Rogação Evangélica do Coração de Jesus e Santuário de Santo Antonio de Pádua, fundado por ele em 1926, em Messina.

O papa João Paulo II proclamou santo o padre Aníbal Maria di Francia, marcou sua celebração litúrgica para o dia de seu trânsito e o definiu como o "apóstolo da moderna pastoral vocacional" em 2004.

Santo do Dia - João Batista Scalabrini - 01-06

João Batista Scalabrini
Bem-aventurado
1839-1905

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Fundou a Congregação
dos Missionários de São Carlos Borromeu
João Batista Scalabrini, nasceu perto de Como, Itália, em 8 de julho de 1839. A sua família era humilde, honesta e cristã. Ele desejou tornar-se padre e entrou no seminário diocesano, no qual se distinguiu pela inteligência e perseverança. Foi ordenado sacerdote em 1863. Iniciou o apostolado como professor do seminário e colaborador em paróquias da região. Possuía alma de missionário, mas não conseguiu realizar sua vontade de ser um deles na Índia.

Scalabrini foi designado pároco da paróquia urbana de São Bartolomeu em 1871. Seu ministério foi marcante e priorizou a catequese da infância e da juventude. Atento aos inúmeros problemas sociais do seu tempo, escreveu vários livros e publicou até um catecismo.

Ao ser nomeado bispo de Piacenza, ficou surpreso. Tinha trinta e seis anos e lá permaneceu quase trinta como pastor sábio, prudente e zeloso. Reorganizou os seminários, cuidando da reforma dos estudos eclesiásticos. Foi incansável na pregação, administração dos sacramentos e na formação do povo.

Scalabrini, como excelente observador da realidade de sua época, fundou um instituto para surdos-mudos e uma organização assistencial para mulheres abandonadas das zonas rurais, pertencentes à sua diocese. Mas o trabalho que mais o instigou e para o qual não media esforços foi o que desenvolveu com os migrantes. Entre os anos de 1850 e 1900, foram milhões de europeus que deixaram seus lares e pátria em busca da sobrevivência. Para eles o bispo Scalabrini criou a Casa dos Migrantes.

Um dia, ele estava na estação ferroviária e viu centenas de migrantes esperando, com suas trouxas, o trem que os levaria ao porto de embarque. A situação de pobreza e abandono desses irmãos infelizes marcaram para sempre seu coração. Em seguida, Scalabrini recebeu uma carta de um emigrante da América do Sul, suplicando que um padre fosse para aquele continente, porque, como dizia, "aqui se vive e se morre como os animais".

A partir daquele momento, Scalabrini foi o apóstolo dos italianos que abandonaram a própria pátria. Em 1887, fundou a Congregação dos Missionários de São Carlos Borromeu, conhecidos atualmente como padres scalabrinianos, para a assistência religiosa, moral e social aos emigrantes em todo o mundo, e criou a Sociedade São Rafael, um movimento leigo a serviço dos migrantes.

Ele próprio planejou e realizou viagens para visitar os missionários na América Latina, pois queria que estivessem estimulados e encorajados a dar a assistência religiosa e social aos emigrantes. Percebendo que sua obra não estava completa, em 1895 fundou a Congregação das Missionárias de São Carlos Borromeu, hoje das irmãs scalabrinianas, e concedeu reconhecimento diocesano às Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração, enviando-as para o trabalho com os emigrantes italianos do Brasil em 1900. Apesar de todo esse trabalho, jamais descuidou de sua diocese.

Santo do Dia - São Justino - 01-06

São Justino
103-164
Justino nasceu na cidade de Flávia Neápolis, na Samaria, Palestina, no ano 103, início do século II, quando o cristianismo ainda se estruturava como religião católica. Tinha origem latina e seu pai se chamava Prisco.

Ele foi educado e se formou nas melhores escolas do seu tempo, cursando filosofia e especializando-se nas teorias de Platão. Tinha alma de eremita e abandonou a civilização para viver na solidão. Diz a tradição que foi nessa fase de isolamento que recebeu a visita de um misterioso ancião, que lhe falou sobre o Evangelho, as profecias e seu cumprimento com a Paixão de Jesus, abalando suas convicções e depois desaparecendo misteriosamente.

Anos mais tarde, acompanhou uma sangrenta perseguição aos cristãos, conversou com outros deles e acabou convertendo-se, mesmo tendo conhecimento das penas e execuções impostas aos seguidores da religião cristã. Foi batizado no ano 130 na cidade de Efeso, instante em que substituiu a filosofia de Platão pela verdade de Cristo, tornando-se, historicamente, o primeiro dos Padres da Igreja que sucederam os Padres apostólicos dos primeiros tempos.

No ano seguinte estava em Roma, onde passou a travar discussões filosóficas, encaminhando-as para a visão do Evangelho. Muito culto, era assim que evangelizava entre os letrados, pois esse era o mundo onde melhor transitava. Era um missionário filósofo, que, além de falar, escrevia.

Deixou muitos livros importantes, cujos ensinamentos influenciaram e ainda estão presentes na catequese e na doutrina dogmática da Igreja. Embora tenham alcançado nossos tempos apenas três de suas apologias, a mais célebre delas é o Diálogo com Trifão. Seus registros abriram caminhos à polêmica antijudaica na literatura cristã, além de fornecerem-nos importantes informações sobre ritos e administração dos sacramentos na Igreja primitiva.

Bem-sucedido em todas as discussões filosóficas, conseguiu converter muitas pessoas influentes, ganhando com isso muitos inimigos também. Principalmente a ira dos filósofos pagãos Trifão e Crescêncio. Este último, após ter sido humilhado pelos argumentos de Justino, prometeu vingança e o denunciou como cristão ao imperador Marco Aurélio.
Justino foi levado a julgamento e, como não se dobrou às ameaças, acabou flagelado e decapitado com outros companheiros, que como ele testemunharam sua fé em Cristo no ano 164, em Roma, Itália.

Vida e Saúde 5 - A Qualidade da Alimentação

Introdução ::


 O organismo humano é constituído de Corpo, Mente e Espírito, e cada uma destas partes têm necessidades próprias que precisam ser atendidas. Se, através de seus hábitos de vida, você atende as necessidades do seu organismo, ele será equilibrado, resistente e sadio. Se não atende e, ao contrário, através de seus hábitos você agride ao seu organismo, ele será fraco, sem resistência e doente. Portanto, são seus hábitos de vida que, de forma principal, determinam a sua saúde. O Corpo precisa de Sol, Ar, Água, Alimento, Exercício, Repouso e Higiene. Sem estas condições adequadamente atendidas, a saúde jamais será possível e o resultado será a doença. A Alimentação está entre as necessidades mais importantes para a saúde.  
 
 Porque a Alimentação é Importante? ::
 São os alimentos que fornecem todos as substâncias necessárias para a manutenção da vida (minerais, vitaminas, proteínas, açúcar, gordura) e, na criança, determinam o seu crescimento, sendo transformados em ossos, músculos, órgãos, gordura, pele, sangue e tudo mais. A alimentação influi no funcionamento de todos os sistemas: nervoso, glandular, ósseo, muscular, urinário, digestivo, respiratório, cárdio-circulatório, assim como no comportamento, humor, memória, inteligência, na mente e na disposição física e sexual. A alimentação influi sobre o sistema de defesa do organismo, o sistema que determina sua resistência, a condição mais importante para a manutenção da vida, pois determina se a pessoa será sadia ou doente. Não é o poder dos micróbios, vírus e bactérias que deve ser temido, mas a falta de resistência do organismo. Sem uma alimentação adequada, o organismo sofre alterações em suas funções e fica sem resistência, sendo estas as causas principais de todas as doenças. Por isso se diz: "Somos o que comemos". Dependendo da alimentação, o sangue, será puro, vitalizador, levando saúde para todo o organismo, ou será intoxicado, cheio de venenos, provocando doenças e morte. Hipócrates, o pai da medicina disse: "Que o teu alimento seja o teu medicamento e que o teu medicamento seja o teu alimento". E disse também: "Deixa de lado a droga, se puderes curar o paciente com alimento". O alimento, além de nutrir, é o melhor remédio. Dois aspectos da alimentação são importantes e devem ser considerados: a qualidade e a quantidade. Devemos saber: o que comer, quanto comer e como comer.  
 
 O que comer ::

A alimentação, assim como todas as outras necessidades do nosso organismo, têm regras e leis que devem ser obedecidas. Não podemos determinar nossa alimentação somente pelo gosto e o prazer que os alimentos proporcionam. Devemos saber se os alimentos são adequados e saudáveis, se vão contribuir para o bom funcionamento, boa defesa e resistência do nosso organismo. Quanto a qualidade, existem 3 condições principais que devem ser atendidas:

1- Alimentos Vegetais.
2- Alimentos Naturais.
3- Alimentos Integrais. 

 Alimentos Vegetais - Verduras, Legumes e Frutas ::
Os vegetais são alimentos indispensáveis e mais importantes para sua vida. Eles são fontes principais de minerais, vitaminas, fibras, açúcar, além de proteínas e gorduras, em menor quantidade, substâncias essenciais para todo o funcionamento do organismo. Os vegetais contém, também, substâncias protetoras e curativas, com ação anti-infecciosa, anti-inflamatória, anti-parasitária, anti-reumática, anti-hipertensiva, diurética, laxativa, desintoxicante e vitalizadora de todo organismo. São alimentos equilibrados e determinam uma perfeita saciedade do apetite, impedindo o comer excessivo, a busca constante por comidas, portanto, evitam e curam a obesidade.
 
 Como tomar água ::
Os vegetais são alimentos indispensáveis e mais importantes para sua vida. Eles são fontes principais de minerais, vitaminas, fibras, açúcar, além de proteínas e gorduras, em menor quantidade, substâncias essenciais para todo o funcionamento do organismo. Os vegetais contém, também, substâncias protetoras e curativas, com ação anti-infecciosa, anti-inflamatória, anti-parasitária, anti-reumática, anti-hipertensiva, diurética, laxativa, desintoxicante e vitalizadora de todo organismo. São alimentos equilibrados e determinam uma perfeita saciedade do apetite, impedindo o comer excessivo, a busca constante por comidas, portanto, evitam e curam a obesidade.

 Tem que ser água ? ::
Sim, têm que ser água. A água é o líquido ideal para a hidratação do organismo e não deve ser substituída por outros líquidos, tais como refrigerantes, chás e sucos.
 
 Conclusão ::
Entenda a importância de beber 2 a 4 litros de água por dia. Sua saúde vai mudar. Muitos problemas que você sente poderão desaparecer somente por você passar a beber a água que seu organismo precisa. Tome a decisão: vou beber 2 a 4 litros de água por dia. Vou beber 1 copo de água de uma em uma hora, mesmo que não tenha sede. Vou manter meu corpo bem hidratado. Água é vida. Água é defesa. Água é desintoxicação. Água é boa disposição. Água é saúde. 

29 de maio de 2011

GÊNESIS - A CRIAÇÃO - O Mal

5. O MAL
Há um fato contraditório que aparece inesperadamente na História da Criação e retrata uma presença contumaz em toda a História Humana, bem como na vida particular ou social de cada um: é a presença do mal. Da mesma forma que a consciência da morte revela a vida, a consciência do mal revela o bem. Busca o homem ansiosamente conhecer e compreender a causa, a natureza e a finalidade do mal. Infrutiferamente, porém. Busca e quer erradicá-lo, ao encontro de um bem total. Para isso precisa conhecer o bem e o mal, estabelecendo as suas causas, suas naturezas e seus fins. O mal é a expressão do sofrimento, da dor e da morte, em contraste com o bem significado na felicidade, na paz e na vida. O mal é a ineficácia do bem, o desordenamento da Criação e sua conseqüente esterilidade. É a volta ao estado anterior à ação criadora de Deus, é o deserto, o caos:
"... - ele é Deus, o que formou a terra e a fez, ele a estabeleceu; não a criou como um deserto, antes formou-a para ser habitada" (Is 45,18).



Para o hagiógrafo, da mesma forma que com a origem, o problema é simples e teve como fonte a atitude do Homem em face ao seu relacionamento com Deus. Relacionamento elevado à intimidade, familiaridade e comunhão que em determinado momento sujeitou o Homem à dependência de um preceito. Melhor seria dizer o "aviso" de que determinada forma de comportamento teria como conseqüência o advento da "morte". Foi no instante em que Deus dotou o Homem do "livre-arbítrio" e o instituiu. Mostrou-lhe uma situação e deixou-a a sua livre opção, mostrando-lhe o que lhe adviria caso não a observasse. Deus criou um ser livre, não um robô. Por inexistir um tom imperativo positivo vê-se que não se trata de uma ordem, e o "podes" bem como o uso de uma negativa amenizam e facilitam por demais a opção, como se fosse dito que "a morte vai vigorar se você a facultar":
"Podes comer de todas as árvores do jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres terás que morrer" (Gn 2,16-17).


Analisando melhor o trecho vê-se que não se trata de uma "árvore do bem e do mal", mas de uma "árvore do CONHECIMENTO do bem e do mal". O "podes" denota a plena liberdade de escolha do Homem; também, a "árvore" caracteriza uma "fonte", a origem onde se forma o fruto, qual seja, a "conseqüência" anunciada: A MORTE. Depositava-se só e exclusivamente nas mãos do Homem a possibilidade da existência da morte, com todas as suas conseqüências. E, o que é a morte e o que ela representa? Para nós, que já vivemos no seu império, a experiência nos dita que é o fim de uma existência física. Mas, qual seria o significado dela para aquele primeiro Homem, considerando-se o aspecto geral antes e depois da sua presença na Criação? Para aquele primeiro Homem que a desconhecia, como lhe teria soado, ou como lhe fora explicada, já que sem conhecimento prévio inexiste a responsabilidade pessoal? Como lhe seria a Criação sem ela? Voltando-se abstratamente àquele tempo vejamos como se dariam os fatos sem a morte. Ora, inexistindo a morte ninguém morreria. Ninguém perderia a vida por doença, por causas fortuitas, de fome ou por qualquer outra causa. Não haveria a necessidade da luta pela sobrevivência, a disputa, as contendas, o ciúme, a inveja e outros males não apareceriam, bem como a infelicidade humana de tudo isso decorrente, e o sofrimento.
    Percebe-se num relance que a morte é a convergência de todos os males, e ao homem foi dada a oportunidade de acolhê-la ou rechaçá-la. Só se pode dizer que violou o aviso e a trouxe, introduziu-a na Criação que a desconhecia. Somente onde há a possibilidade de escolha consciente aparece a liberdade e somente onde há a liberdade pode haver um relacionamento de duas ou mais pessoas, em íntima comunhão de vidas e de tarefas. O Homem é "imagem e semelhança de Deus", não um teleguiado seu, donde ser necessariamente responsável e consciente de seus atos. E, para a eficácia dessa responsabilidade e consciência, deveria ter tido o mais amplo e pleno conhecimento de tudo, e de todas as conseqüências de sua livre escolha. A simbologia de toda a narração nada mais revela que tudo isso, bem como essa opção livre a qual somente se percebe num vislumbre, quase intuitivo, o que evidencia a inteligência sagaz do narrador, procurando traduzir para seus semelhantes fatos que não foram presenciados por ninguém. A começar pelo nome dela: a "árvore do conhecimento do bem e do mal", que traduz numa conotação especial o esforço e a habilidade com que impede qualquer vinculação de Deus com a existência do mal. Coloca-a como a fonte ("árvore") de uma experiência sensível, que passará a ser de seu "conhecimento", a "morte". Principalmente porque ali no Paraíso o Homem só "conhecia" o BEM, e ao fazer ingressar no mundo a "morte", "conheceria" a diferença entre aquele bem de que gozava e o mal que adviria da morte, agora já possível. É a figura do "conhecer" bíblico, fruto de uma percepção sensível em si mesmo. Assim exprime que Deus não é o autor do mal, mas apenas e tão somente do bem.
    Deus dispusera ali também no Éden a "árvore da vida", de que foi o Homem afastado ao optar pela "do conhecimento do bem e do mal", que lhe seria um dom perene (Gn 3,22). O Homem, por algum motivo que foge ao nosso alcance, preferiu o caminho da dor, do sofrimento e da morte ao da Vida Eterna, assim de imediato e num relance. "Conhecemos" o resultado dessa infeliz opção, cuja triste iniciativa é atribuída à mulher, EVA. A causa vem colorida com a expressão tentadora de que "sereis como deuses" (Gn 3,5):
"A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos, que Iahweh Deus tinha feito. Ela disse à mulher: ‘Então Deus disse: Vós não podeis comer de todas as árvores do Jardim’? A mulher respondeu à serpente: ‘Nós podemos comer do fruto das árvores do Jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do Jardim, Deus disse: Dele não comereis, nele não tocareis, a fim de não morrer’. A serpente disse então à mulher: ‘Não, não morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal" (Gn 3,1-5).


Alguns detalhes dessa narrativa merecem uma análise mais elucidativa, por causa da farta simbologia empregada. Em primeiro lugar, em virtude da responsabilidade do Homem pela "guarda" do jardim, a serpente, por ser "o mais astuto dos animais do campo", não poderia estar ali. Não se pode culpar apenas a serpente pela queda, eis que a sua responsabilidade se prende ao fato de dar asas à inclinação humana já alojada no íntimo de Eva. Vê-se isso da facilidade de íntimo colóquio entre ela e a mulher, bem como da resposta que esta lhe dá em seguida, já bem reforçada com a expressão que grifamos "nele não tocareis", que não constou do aviso ou conselho de Deus. Deus não lhes dissera que "não a tocassem"! Eva demonstra então seu anseio mais íntimo, qual seja, a inclinação já atuante no seu "coração" de provar o fruto, a que resistira até aquele momento. A astúcia da serpente está em ter percebido a tentação a que ela estava se sujeitando e estimulado a prática do ato vedado com uma alternativa falsa, uma mentira, de que adviria a grande recompensa de "sereis como deuses"! Tanto é assim que imediatamente os efeitos da indução aparecem em Eva:
"A mulher viu que a árvore era boa ao apetite e formosa à vista, e que era, esta árvore, desejável para adquirir discernimento. Tomou-lhe do fruto e comeu. Deu-o a seu marido também, e ele comeu" (Gn 3,6).


A conseqüência do ato não tardou, infiltrando-se a morte como um dos elementos integrantes do mundo criado, por ato de livre opção e responsabilidade do Homem. Todos os demais imperativos impostos (Gn 1,28; 3,16.18-19) até mesmo à própria natureza (Gn 3,17-18), não traziam em si mesmos conseqüências advindas de sua violação ou descumprimento como aqui. Interessante que nenhum deles depende da vontade humana para se formarem, ou se cumprirem, ou se manifestarem, ou se concretizarem; e, apesar da rebeldia ocorrida permaneceram ainda integrados à natureza do Homem, cumprindo a sua função. O Homem rompeu com Deus; mas, Deus se manteve o mesmo, não rompendo seus desígnios para o Homem, e, apesar de todas as funções humanas sofrerem a deformação advinda da perda do centro gravitacional, pelo mau uso da liberdade que lhes dera, nem por isso a retira. O Homem continua sendo objeto de cuidados de Deus:
"Iahweh Deus fez para o homem e sua mulher túnicas de pele, e os vestiu" (Gn 3,21).


Deus nada modifica! Toda a estrutura fundamental da Criação permaneceu em si intocável, se bem que as maldições subseqüentes à serpente e à terra acarretam sério descontrole e desequilíbrio advindos do rompimento pelo Homem. Quando o narrador declina as maldições nada mais faz que significar uma imensa limitação ao controle absoluto do Homem (Gn 3,14-19). A esse ato de rompimento do Homem com os desígnios de Deus é que se denomina PECADO ORIGINAL, por ter sido a "árvore", a "fonte", a "origem" de todos os males e de todos os outros pecados, ou causa principal. Percebe-se facilmente que todo o desequilíbrio da natureza e até mesmo as diferenças climáticas têm a sua "origem" e a sua causa naquele "pecado". Também por ele toda a natureza humana, trazendo sérias conseqüências como a guerra, o terrorismo, o assalto, as rixas, as bebedeiras, o sexualismo desordenado, as doenças etc.. Por causa da maldição da terra, até mesmo as diferenças climáticas, chovendo copiosamente em algumas regiões e não chovendo de forma alguma em outras, todo e qualquer desequilíbrio é fruto do primeiro ato livremente praticado pelo Homem, o ato de rompimento com Deus, dando assim livre curso à morte. Para que ela atuasse era necessário que isso acontecesse, e aconteceu.

GÊNESIS - A CRIAÇÃO - Deus e o Homem

4 - DEUS E O HOMEM
    Desde a origem estabeleceu Deus um distinto e profundo relacionamento, e singular convívio, com o Homem. Manifesta-se desde então ora como estreita colaboração mútua ora como profunda comunhão de vidas e intimidade bem familiar. Em qualquer caso, porém, ocupa o Homem uma posição ímpar de colaborador e coordenador da Obra de Deus, pelo que se pode dizer ser ele o catalisador da Criação. É que apesar da perfeição que coroa cada ato criativo particular ou conjunto de Deus, há sempre presente uma demanda nas coisas criadas, a exigir um ordenador comum e inteligente - O HOMEM, "imagem e semelhança de deus" (Gn 1,26). É o caso da mescla em que se nos apresenta a natureza: tudo misturado e esparso, gêneros e espécies, a compor determinado ambiente. Cabe ao Homem separar, ordenar e semear conforme o consumo, separando, ordenando e semeando por gênero e espécie, função essa bem destacada na ocasião:

"No tempo em que Iahweh Deus fez a terra e o céu, não havia ainda nenhum arbusto dos campos sobre a terra e nenhuma erva dos campos tinha ainda crescido, porque Iahweh Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem para cultivar o solo" (Gn 2,4-6).


Deus tudo criara com aptidão imanente para germinar e propagar-se. Além disso, oferecia a chuva, cabendo ao Homem o cultivo do solo. Estabeleceu-se então entre ambos, Deus e o Homem, verdadeiro consórcio de tarefas, um "co-múnus", uma comunhão num primeiro relacionamento: Deus propiciava a chuva, e o Homem oferecia o seu trabalho. Ao Homem cabia cultivar o solo, eis um dos motivos imediatos da sua Criação, e ainda o deslocamento dele para outra situação em nova dimensão ou novo estado de vinculação relacional com Deus:


"Então Iahweh Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em sua narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente." / "Iahweh Deus plantou um Jardim em Éden, no oriente, e aí colocou o homem que modelara... Iahweh Deus tomou o homem e o colocou no Jardim do Éden para o cultivar e guardar" (Gn 2,7-8.15).


É uma maneira diferente de dizer a mesma coisa já dita com outras palavras: Ao "insuflar em suas narinas o hálito de vida" Deus cria o Homem "a sua imagem e semelhança" e ao "colocá-lo no Jardim que Ele mesmo plantara" modifica a sua situação e o distingue dos outros seres já criados. Criando o Homem para cultivar o solo, não havia a necessidade de lhe preparar um local especial para aí o colocar, a não ser que se pretenda evidenciar a existência de um relacionamento especial preparado pelo próprio Criador. E, tendo sido preparado e ordenado pelo próprio Deus, só pode ser uma maior aproximação de ambos, Deus e o Homem, o que traz para o último uma profunda modificação em seu estado, elevando-o a um relacionamento sobrenatural. Pode-se vislumbrar sem esforço a existência de dois campos de relacionamento entre Deus e o Homem, quais sejam:

      • o primeiro é aquele em que Deus fornece a chuva e o homem fornece seu trabalho no cultivo da terra (Gn 2,5-6); e,
      • o segundo, onde Ele mesmo planta um "jardim" e nele "coloca" o Homem para dele "cuidar" (Gn 2,7-15).
    Há fundamental diferença entre ambos, eis que no último aprofunda-se a vinculação entre Deus e o Homem, colocado num jardim especialmente preparado, com a finalidade de "cultivá-lo e guardá-lo" (Gn 2,15). É como se fossem dois mundos que se destinavam ao cultivo do homem. Neste último Deus "passeava à brisa do dia" (Gn 3,8), caracterizando-se com essa sua "presença física" a elevação do estado do Homem a uma verdadeira comunhão de vidas entre ambos, fruto de ato exclusivo de Deus. O Homem de então participa da Criação pelo trabalho e da vida divina pela comunhão sobrenatural com Deus. Estabelece-se assim, desde o início, um convívio mais dependente e íntimo, uma profunda familiaridade. Essa comunhão de vidas foi e é ainda o ápice de toda a Criação, percebendo-se já o grande privilégio conferido ao Homem, tratado e considerado em ambas as dimensões como o único centro gravitacional da atenção generosa, amorosa e objetiva de Deus. Por causa disso é que Adão "dá o nome" a todas as criaturas (Gn 2,20), eis que nomear biblicamente significa ser dono:

"... chamei-te pelo teu nome: meu tu és" (Is 43,1).


Desde essa integração e relacionamento comum apresentaram-se os vários elementos indissociáveis e que compõem a natureza humana e se destinam à consecução de um desenrolar antecipadamente elaborado, planejado e estabelecido, apesar de profundamente livre. Uma espécie de plano geral, tal como uma obra "inteligente e pensada", elaborado pelo próprio Deus, no qual o Homem se torna participante ativo e consciente. Goza então da glória e da felicidade de uma vida em estreita comunhão, intimidade e familiaridade pessoais com o Criador. Estabelece Deus com o Homem, pessoa a pessoa, um "consórcio de tarefas" (Gn 2,5-6) e uma "comunhão de vidas" (Gn 2,7-15).
A partir de então Deus sempre quer manter viva e dinâmica essa intimidade, familiaridade e comunhão de amor com o Homem, sua Criação predileta, a quem destinou toda a Criação:


"Deus abençoou-os e lhes disse: ‘Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra" (Gn 1,28).


Recebe o Homem diretamente de Deus toda a Criação. O tom imperativo da entrega denota toda uma dinâmica em que se fundará a atividade humana e a íntima relação entre Deus e toda a humanidade. È a linha de toda a História. Este desígnio de Deus é o mesmo até hoje, e será o mesmo até o fim dos tempos, na culminação de toda a Obra. Nada, nem mesmo qualquer ato humano, pode alterar ou perturbar a realização dos Planos de Deus, em si; pode perturbar apenas o recebimento dos benefícios, retardando-os apenas quanto ao próprio Homem e à Criação, na História: A Criação é um ato irreversível de Deus.

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